A Copa do mundo foi “o” evento e vejo que agora é a hora de escrever sobre. Não iria escrever antes, pois iríamos de postagens contaminadas pela empolgação, a postagens tingidas pela tristeza da derrota.

Sei que muita gente, em meio as manifestações, diziam “Não vai ter Copa!”. Fui contra a Copa em alguns aspectos sim, pois acho que é necessário antes arrumar a casa e só depois trazer visita. Mas nós demos o famoso jeitinho brasileiro, varremos pra debaixo do tapete e deixamos as visitas entrarem. Muita coisa para inglês (alemão, espanhol, argentino, mexicano, holandês…) ver, mas tenho que admitir: a festa ficou bonita!

Mas, vamos deixar a festa e a “gringada” de lado, pois eu estou escrevendo mesmo é para falar sobre a nossa seleção. Faz tempo que venho falando que a canarinho não é mais a mesma de outrora. Não temos mais aquele time entrosado, que se entende no olhar, que consegue criar jogadas. Ficou tudo no “joga para o Neymar” e foi assim durante os primeiros jogos. Ainda assim, eu já vinha falando que a seleção não estava tão bem. Em um nível de competição que é a Copa do mundo, nunca poderíamos ter tomado sufoco de seleções como o México e Chile, equipes que não tem a mesma tradição no futebol que o Brasil. Então veio a Alemanha, uma seleção que estava se preparando de verdade para, não simplesmente jogar essa copa, mas para se consagrar campeã. Foi no jogo contra a Alemanha que ficou nitída, não a falta que faz o Neymar que havia se contundido no último jogo, mas a falta que faz uma seleção que se prepara e que não vive de tradição, mas que faz história. É bem verdade que essa seleção fez história, mas não de forma positiva. A amarelinha pesa, é muita história que se carrega nas costas quando se vai defender a seleção brasileira e, claro, tiveram jogadores que se esforçaram e conquistaram o coração do povo com humildade e simpatia, porém faltou estabilidade psicológica, faltou formação de time e integração, faltou mirar no futuro e deixar o passado se narrar.

Eu tinha comigo o fantasma da Copa de 1998, quando vi o Brasil sucumbir à França e aquilo para mim havia sido vergonha e tristeza, até que o dia 8 de julho de 2014 criou um fantasma ainda maior. De quem é a culpa? Existe uma sequência de erros, que vem se arrastando desde amistosos com seleções fracas, até uma escalação que deixou muita gente de fora, passando por colocar todas as esperanças nas mãos de um menino, que deu conta do recado, mas ele não era o único em jogo. Meus parabéns ao Neymar, David Luiz, Thiago Silva e Júlio César. Apesar do fiasco, eles jogaram até onde foi possível jogar e houve coragem para entrar em campo com tanto despreparo. Muitos ali ainda não estavam prontos para uma competição desse nível e chega a hora de repensar no que fizemos até aqui.

Não vou me prestar ao papel ridículo de dizer “tenho vergonha de ser brasileira”. Claro que os últimos placares brasileiros (7X1 para Alemanha e 3X0 para Holanda) foram um vexame. Seria hipocrisia dizer que não foi, mas se for ter um motivo para ter vergonha de ser brasileira seria pela educação, saúde e segurança. Se nem por isso eu tenho vergonha de ser brasileira, não seria uma derrota no futebol que o faria.

Agora, vale cantar “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, porque é assim que deve ser. Sem síndrome de vira-lata. Fomos a maior seleção do mundo, mas isso não aconteceu de uma hora para outra, foi necessário caminhar, subir degrau por degrau. Muda-se o tempo, mudam-se as vontades, não somos mais a seleção das seleções, os maiores do mundo. Somos bebês e nosso futebol precisa amadurecer. O futebol brasileiro precisa se recriar e subir degrau, por degrau para chegarmos novamente a uma fase áurea. Temos potencial, o que está faltando é preparo.

PS.: Um parabéns especial aos Simpsons que no episódio sobre a Copa de 2014 previu a contusão do Neymar e a derrota da seleção para a Alemanha. Será que a Alemanha hoje será campeã e vai consagrar esse capítulo como o maior vidente dos últimos tempos?

Beijos e carinhos, fiquem com Deus.

Editado pós final da copa
E os Simpsons acertam mais uma vez: Alemanha campeã! Parabéns pelo trabalho de um time que não jogou em prol de um só jogador, mas foi uma equipe. Título mais que merecido!


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Simone

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