Me and myself

Cabelo, cabelo meu…

Hoje a história que pretendo contar aqui é muito, muito cotidiana e sei que muitos irão se identificar.

“Era uma vez uma garotinha de cabelos crespos que, esmagada pelos padrões de beleza da sociedade, foi seduzida a alisar seus cabelos.”

A narrativa que, a princípio, parece simples, é cheia de altos e baixos e termina com muito, muito amor. Com muito amor próprio e amor pelo cabelo que se tem.

Este ano decidi fazer a transição capilar. Depois de anos usando os cabelos alisados através de escovas progressivas e muita chapinha, vi que era hora de eu me aceitar como eu sou e me libertar disso tudo, ainda que para isso eu precisasse passar pela tragédia de cortar o cabelo.

Para quem ainda não sabe o que é a transição capilar, trata-se de um processo no qual, a pessoa decide voltar ao cabelo natural (cacheado, crespo…) e eliminar os alisamentos. O processo não é tão fácil quanto parece. O recomendado é tirar toda parte com química do cabelo (algumas mulheres chegam a raspar a cabeça!), mas também pode-se apelar para cortes quinzenais, mensais e buscar, com texturizações (através de coquinhos ou bigudinhos) igualar as pontas lisas com a raiz cacheada.

A minha relação com o meu cabelo sempre foi conturbada e eu (ou melhor, o meu cabelo) é uma verdadeira metamorfose ambulante. Foi pensando nas minhas mudanças capilares, que decidi fazer esta postagem. Então, senta aí que lá vem história!

18

Está menina, de cabelo estilo black, sou eu aos 8 anos. Minha mãe havia feito algumas tantas “m” no meu cabelo, inclusive utilizado Hennê e logo após permanente afro e, advinha só o que aconteceu? Isso mesmo! O meu cabelo caiu! O jeito foi cortá-lo bem baixinho e eu fiquei muito frustrada com o novo visual, mas hoje eu vejo que, atualmente, eu estaria super na moda!

8

Aos 13 anos comecei a usar guanidina. O cabelo acabou clareando por causa da química e o volume se tornou o problema da minha vida. Nesta foto eu estou com um cabelo no estilo Sideshow Bob.o-SIDESHOW-BOB-570

7

Mas então eu descobri o Beleza Natural e, ao 19 anos, consegui algo que eu considerava impossível: domei a juba! O cabelo cresceu e o volume ficou sob controle, devido ao peso do próprio cabelo. Mas eu, ainda assim, não me sentia satisfeita com ele e hoje, olhando em retrospecto, vejo que esta foi uma das melhores fases dele.

Então, aos 21 anos, eu fiz uma escova no cabelo e achei que o cabelo liso era muito melhor que o cacheado. Achei que ficou tão, tão espetacular que eu queria que o meu cabelo fosse para sempre assim!

3

Pouco depois, eu fiz uma escova marroquina no cabelo e imaginei que ele ficaria liso e lindo para todo sempre, mas então o cabelo começou a cair…

2

Para disfarçar a queda do cabelo, coloquei implante capilar. A foto que ilustra é do meu aniversário de 23 anos.

1

Pouco depois, decidi usar novamente o cabelo cacheado e, para ajudar, eu usei um mega hair poderoso! Foram cerca de três anos com ele, mas quando eu tirei, meu cabelo estava muito, muito quebrado! Mas a fase do mega hair… nossa, que fase maravilhosa! Eu me sentia muito diva, mas a manutenção era demorada e bem custosa.

564
Depois do mega tive que lidar com o cabelo quebrado e, lógico, tive que cortar o cabelo. Na minha formatura, o cabelo estava com duas texturas: parte lisa, parte ondulada e muitas partes quebradas. Mas consegui uma cabeleireira que deu um jeito na bagunça e fez um penteado legal para este momento.

19
Aos poucos, com muita paciência (e amor), o cabelo foi crescendo, mas não cacheava mais como antes. Nesta época, comecei o uso do hidróxido e aos 26 anos, o cabelo começava voltar ao natural, mas as pontas lisas e a falta de definição eram um grande problema.

Sem Título-1

 

Então, já que ele não cacheava mesmo, decidi fazer o quê? Alisar, lógico!

20

E achei que poderia passar a vida inteirinha com ele alisado. Entre chapinhas, escovas progressivas e quedas, passei por diversos cortes e mudanças capilares com ele lisinho.

1012131415
16
 

Mas, então, vendo o sofrimento do meu cabelo, e um vídeo super inspirador da Dove, eu decidi que valia a pena passar pela transição capilar. E no momento ainda estou tentando aceitá-lo. O foco é o cabelo de quando eu tinha 19 anos ou de quando eu tinha 21. Comecei cortando o cabelo e texturizando para ficar assim:

17

 

Depois de mais uns tantos cortes (o último feito este mês), hoje ele está assim:

Desejem-me boa sorte!
#voltandoaoscachos

Segue o vídeo da Dove que me fez olhar de outra forma os meus cabelos.

Beijos e carinhos, fiquem com Deus.

 

Escritora

O sonho de Ulisses

Já faz algum tempo que tenho “ruminado” o projeto de publicar a rapsódia denominada O sonho de Ulisses. Ainda estou trabalhando em alguns aspectos da trama, mas deixo para meus queridos leitores o comecinho desta história que espero ver publicada ainda este ano.

O sonho de Ulisses

Quando aprendera a ler já era um homem feito, um pouco de barba na cara e mãos calejadas pelo trabalho. Quando as palavras começaram a saltar da folha de papel e fazer algum sentido em sua mente, sua cabeça já contemplava os primeiros cabelos grisalhos, apesar de ainda não ter passado dos vinte.

Foi quase sem querer que aprendera a ler. De princípio não queria, sentia-se envergonhado pela gagueira constante ao tentar juntar as palavras, mas o professor Ambrósio, que era do tipo jovem e altruísta, não desistiu do desafio que era fazer aquele homem rude ler e pouco tempo depois tornou-se hábito que estivesse em suas mãos a enxada pela manhã e a noite um livro.

Era sempre quando caia a noite que começava a ler. Pegava livros emprestados com o professor Ambrósio. De princípio eram narrativas curtas, algumas infantis demais para um homem calejado pela vida. Com o passar do tempo, as narrativas foram ficando mais extensas e algumas saltavam aos olhos palavras que nem se quer sabia que existiam. Aprendeu por fim a utilizar o dicionário e seus irmãos e tios passaram a taxá-lo de metido porque, por vezes, arriscava-se em falar difícil e usar palavras que ninguém por ali conhecia.

Era noite, e como por costume pegou o mais recente livro emprestado. Os livros faziam sua mente voar para longe daquela realidade árida, aquele em especial o levava pelo mar. E como era vasto o mar! Achava graça de compartilhar o nome com o protagonista daquela narrativa. Achava bom ver seu nome repetidas vezes escrito em um livro. Adormeceu quando Ulisses resistia ao canto das sereias e sonhou. Sonhou que ele ia para longe, não viajando através dos livros do professor Ambrósio, mas ia de corpo e alma para longe. A terra seca, a enxada, a horta de seus pais, o riso zombeteiro dos irmãos: tudo era deixado para trás numa fumaça que se dissipava no horizonte. Ele ia à frente, em um barco tão nobre quanto o de Ulisses, sentia a brisa do mar que nunca havia sentido em vida e ouvia um canto, o canto mais bonito de todos. Podia vê-las dançando na água, não era apenas uma, mas três sereias de cabelos coloridos e colo nu rodopiavam na água e embalavam o navio com sua canção hipnotizante. Jogou-se ao mar, sem pestanejar e acordou com o baque surdo da Odisseia no chão.

Depois daquela noite fixou em sua mente uma ideia: Encontraria uma sereia. Ele sabia que em seu sonho não havia resistido aos encantos daquelas mulheres mitológicas meio humanas, mas tinha consigo a certeza que não sendo um sonho resistiria tão bravamente como resistiu Ulisses e contemplaria a maior beleza meio feminina existente na terra.

image

Este é apenas o comecinho, espero logo publicá-la para que vocês conheçam toda essa rapsódia.

Beijos e carinhos, fiquem com Deus.